Museu casa de

Maria Bonita

Roteiro Caminhos do Cangaço

A região de Paulo Afonso, localizada no estado da Bahia, foi palco de importantes acontecimentos ligados ao Cangaço. Com sua geografia marcada por serras, rios e a vegetação densa da caatinga, o território serviu tanto como refúgio estratégico quanto como cenário de confrontos entre cangaceiros e forças policiais.

No ano de 1911, na Fazenda Malhada da Caiçara, então distrito de Santo Antônio da Glória do Curral dos Bois (atual município de Paulo Afonso), nasceu Maria Gomes de Oliveira, que mais tarde ficaria conhecida como Maria Bonita, a Rainha do Cangaço.

Ainda jovem, aos 15 anos de idade, Maria casou-se com o sapateiro José Miguel da Silva, conhecido como Zé Neném, com quem não teve filhos. O casamento foi marcado desde o início por conflitos, brigas e separações. Segundo historiadores, a cada desentendimento Maria retornava à casa dos pais, e foi justamente em uma dessas ocasiões que, por intermédio de seu tio Odilon Café, conheceu o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião.

Com o pretexto de revê-la em outra oportunidade, Lampião deixou alguns lenços para que fossem bordados com seu nome, afirmando que retornaria em quinze dias para buscá-los. No entanto, sua volta ocorreu apenas após trinta dias. Os bordados confeccionados por Maria e suas irmãs foram pagos por Lampião e, a partir desse episódio, iniciou-se uma paquera entre ambos.

Dias depois, ao passar novamente pela Fazenda Malhada da Caiçara, Maria Gomes de Oliveira rompeu os padrões da época e tornou-se a primeira mulher a ingressar no cangaço. Após ela, outras mulheres passaram a integrar os bandos, mas Maria Bonita entrou para a história como símbolo de coragem e resistência, uma mulher que desafiou as normas sociais de seu tempo para viver um estilo de vida até então impensável para mulheres.

Maria Bonita viveu oito anos no cangaço e, de seu relacionamento com Lampião, nasceu Expedita Ferreira Nunes, que vive até os dias atuais na cidade de Aracaju, capital de Sergipe.

Em 28 de julho de 1938, na Grota de Angico, em Sergipe, Maria Bonita foi surpreendida pelas forças policiais comandadas pelo tenente João Bezerra. O confronto resultou na morte de Maria Bonita, de Lampião, de nove cangaceiros e de um policial, encerrando de forma trágica um dos capítulos mais marcantes da história do cangaço nordestino.

História

O Museu Casa de Maria Bonita funciona na tradicional casa de reboco onde nasceu e viveu Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, a “rainha do cangaço”. Ela morou no local entre 1911 e 1929, ano em que deixou a casa para se unir a Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, passando a integrar o grupo de cangaceiros.

O espaço preserva objetos da vida familiar de Maria Bonita e registros ligados ao período do cangaço, mantendo viva a memória dessa personagem histórica. Até hoje, a vizinhança abriga parentes da família, o que reforça a autenticidade e a importância cultural do lugar.

Reformas e Transformação em Museu

O imóvel, que se encontrava em estado de deterioração, foi restaurado e convertido em museu em 23 de setembro de 2006, passando a integrar o roteiro de visitação e turismo cultural no sertão baiano.

A restauração teve como objetivo preservar o acervo histórico e as características originais da edificação, garantindo sua valorização como patrimônio cultural.

Acervo e Curiosidades

  • O acervo exposto reúne objetos da família e itens relacionados à trajetória de Maria Bonita e do cangaço, incluindo reproduções fotográficas e peças originais representativas da época. Algumas peças de maior valor histórico, especialmente objetos únicos ligados à vida da cangaceira, não permanecem em exposição permanente por razões de segurança. Em 2014, o museu foi alvo de arrombamento, com o furto de fotografias e objetos históricos.
  • A Casa de Maria Bonita integra um dos principais roteiros do cangaço em Paulo Afonso, sendo amplamente visitada por pesquisadores, estudantes e turistas interessados na história e na cultura do Nordeste brasileiro.

Contexto Cultural

  • Maria Bonita foi a primeira mulher a integrar ativamente um grupo de cangaceiros, tornando-se uma figura histórica singular no movimento do cangaço.
  • O museu ajuda a contar não só a biografia dela, mas a história de um período marcante da cultura e resistência no sertão nordestino.

Informações

Caminhos do Cangaço
08:00h às 17:00h
Entrada: 10,00
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