Sepultura de Zé Pretinho

Roteiro Caminhos do Cangaço

O Martírio de Zé Pretinho

Em decorrência do combate ocorrido na região da Lagoa do Mel em 1931 , poucos dias depois,  na vila de Dona Generosa, Zé Pretinho foi abordado por uma volante policial  que atuava na repressão ao cangaço. Durante a abordagem, ele foi acusado de que sua saída em busca de alimentos para os policiais acampados na Lagoa do Mel na verdade, servido como pretexto para delatar a posição da tropa e informar a Lampião sobre o local onde a polícia estaria se organizando para capturá-lo.

A versão apresentada, embora aparentasse certa lógica dentro do contexto de perseguições e desconfianças típicas da época, não correspondia à realidade. Investigações posteriores e relatos históricos indicam que Zé Pretinho não foi o responsável por repassar qualquer informação ao bando de Lampião. Ainda assim, a polícia aceitou essa narrativa como verdadeira e decidiu aplicar uma punição extrema.

Zé Pretinho foi amarrado ao tronco de uma árvore conhecida como barriguda, espécie comum no sertão nordestino, e submetido a uma execução cruel. Segundo historiadores da região ele foi utilizado como “tiro ao alvo” e, posteriormente, esquartejado, configurando um dos episódios mais violentos.

Mesmo sem provas concretas, Zé Pretinho acabou pagando com a própria vida por uma acusação injusta, tornando-se símbolo de inocência sacrificada em meio à brutalidade dos confrontos da época. Após sua morte, seu corpo foi enterrado em terras pertencentes a Dona Generosa, figura importante na memória local. Atualmente, o local do sepultamento transformou-se em ponto de visitação histórica e turística, sendo frequentado por pesquisadores, estudantes e visitantes interessados na história do cangaço e nos acontecimentos que marcaram a região de Paulo Afonso.

Curiosidades

A barriguda, árvore citada no episódio, era comum no sertão

O caso de Zé Pretinho é frequentemente lembrado como exemplo de injustiça cometida contra sertanejos inocentes, vítimas da tensão permanente entre cangaceiros e forças policiais.

O túmulo localizado nas terras de Dona Generosa integra hoje roteiros de Caminhos do Cangaço fortalecendo a preservação do patrimônio imaterial da região.